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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Filomena Crespo & Aurélio Gomes... na "Troca de Galherdetes"

 

“Troca de Galhardetes” é um "encontro" de dois profissionais de rádio com o mesmo horário de antena, mas de estações "concorrentes". Cada um aceita o desafio para fazer duas perguntas ao outro e mostrar a sua disponibilidade para responder às questões que lhe colocaram.
 
Assim, o encontro deste mês é entre quem nos dá um bom inicio de tarde: Aurélio Gomes do “Rádio Clube” e Filomena Crespo da “Antena 1”. E aqui segue esta “conversa amigável":

 

 

 

 

Aurélio Gomes: Qual o programa que ainda não fez mas que gostaria muito  de fazer antes da reforma?
 
Filomena Crespo: Hoje a rádio funciona muito mais como um todo, como um produto que ganha força graças à participação de todos. A playlist (apesar de todas as críticas), ajuda a uniformizar o som e os programas de autor contam-se pelos dedos.
 
Eu sou uma pessoa de causas e gosto de pensar  que aquilo que eu digo contribui, de alguma forma, para o bem-estar ou a melhoria de vida…de quem me ouve.
 
A música é muito importante mas aquilo que se diz e a forma como se diz é muito mais interessante.
 
Não penso muito no futuro, já aprendi que devemos viver um dia de cada vez e é isso que eu tento fazer na rádio e na vida.
 
Temas como: imigração, ambiente, violência doméstica…inovação/tecnologia, astronomia…são por mim abordados diariamente na Antena Um e é assim que quero continuar.
 
Filomena Crespo: Como sabes, não é preciso recuar muito para perceber que a Rádio evoluiu bastante nos últimos 20 anos
 
Para trás ficam os discos de vinil, as bobinas de fita magnética, as cartucheiras, as disquetes, os CD’…
 
Agora os computadores resolvem os nossos problemas muito rapidamente.
 
Mais do que uma pergunta gostava de te propor uma reflexão sobre os dias da Rádio, os de hoje e os que estão para vir.
 
O que está mal, o que é preciso corrigir e o que é fundamental que não se perca
 
 
Aurélio Gomes: Minha querida Filomena, propões-me uma reflexão muito interessante. Quantas «páginas» me dão para responder? Eh eh eh!
 
Apesar da evolução tecnológica, tão bem vinda, o essencial continua a ser o mesmo: A «verdade» da comunicação.
 
Acredita que tenho mais dúvidas do que certezas, mas...tenho para mim que só é eficaz a comunicação que é percepcionada pelo ouvinte como genuína (é essa «verdade» na comunicação que nos liga). E sendo essa uma equação com tantas variáveis, não há fórmula ou formato que resulte se a palavra não vier do «coração». A frase «o microfone é uma máquina da verdade» só é um cliché porque é verdade.
 
    Perguntas tu:
    O que está mal?
Muita coisa. A começar pelos baixos salários praticados. É, também, por isso que este meio tem atraído, nos últimos anos, tanta gente irrelevante. Era tão bom ver mais gente nova, brilhante, apaixonada, com coisas novas para dizer e fazer. E é fundamental que a rádio se saiba renovar para estar em sintonia com o seu tempo.
 
    O que é preciso corrigir?
Entre muitas coisas, que haja coragem/inteligência de afastar de algumas direcções e dos microfones os «funcionários» e/ou os «carreiristas». Pensam pequeno e são muitas vezes incompetentes porque o seu horizonte são as suas agendas pessoais. E têm um medo terrível de arriscar.
 
    O que é preciso manter?
A exigência diária nos pormenores porque são sempre «pormaiores». A exigência é filha da paixão...que vive no coração. E onde há paixão, costuma haver prazer.
 
Aurélio Gomes: Acredita no futuro da rádio, ou estamos condenados a uma próxima extinção?
 
Filomena Crespo: Em relação ao futuro da rádio, acredito profundamente num futuro brilhante, cheio de gente interessante, com coisas inteligentes para contar.
Acredito que cada meio de comunicação tem o seu lugar e que ninguém vai conseguir acabar com a força da rádio.
 
É inegável que a internet abriu um mundo de possibilidades, sobretudo ao nível da facilidade com que chegamos aos conteúdos que nos interessam, mas a rádio tem outra magia, outro mistério. A rádio tem que apostar mais nas pessoas; ser menos «gira-discos» e mais comunicação.
 
Afinal, são as pessoas que fazem a diferença.
 
Filomena Crespo: Também gostava de saber o que te faz ouvir uma estação de rádio em detrimento de outra? O que te prende? A voz, os assuntos discutidos, a música?
 
Aurélio Gomes: A intimidade. Quando ela se insinua ou se declara mesmo, eu fico. Pode ser uma canção inesperada que de repente rima com o estado da minha alma. Ou o tom de uma voz que faz parar o meu tempo. Ou a pergunta que obriga um convidado a escorregar para a confidência. Ou aquele/a locutor/a que me arranca sorrisos com tanta facilidade...
 
É a tal equação com tantas variáveis, que continua, felizmente, tão misteriosa como no início.
 
Obrigado a esta tão interessante conversa sobre a rádio. Obrigado Filomena! Obrigado Aurélio!
publicado por mais-telefonia às 00:00
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