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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Xadrez com Trânsito
Hoje, 22 de Outubro, comemora-se o Dia Mundial do Xadrez. Para comemorar este dia, “Mais Telefonia” faz a pergunta:
 
" Porque é que é mais difícil circular no meio do trânsito em horas de ponta do que jogar xadrez?”
 
 
E foi intenção colocar esta pergunta a profissionais de rádio que sejam responsáveis pelas informações de trânsito. Recebemos três textos completamente fantásticos do António Torrado (Antena 1), do Jorge Peixoto (Rádio Renascença) e da Cláudia Capela (Rádio Comercial). Obrigado pelas excelentes respostas. E aqui estão os textos:

 



António Torrado:
A analogia é interessante e os motivos são vários.
Em primeiro lugar, porque há uma tremenda falta de respeito pelas regras de trânsito, que transforma as estradas portuguesas em horas de ponta numa completa anarquia. O xadrez tem regras perfeitamente definidas, as quais é necessário cumprir à risca para se poder jogar. No trânsito, também existem regras fixadas pelo código da estrada, mas, na maior parte das vezes, são ignoradas. Imagine-se que num jogo de xadrez o cavalo resolvia ignorar as regras e, de repente, dava um coice num bispo e, em vez de andar em L, se punha a cavalgar pelo tabuleiro por onde lhe apetecesse. Dificilmente o adversário conseguiria prever a sua próxima jogada!!!…
Depois, pelo desespero da falta de alternativas viáveis. Por onde quer que se vá, há sempre outras filas e mais trânsito.
Por outro lado, há uma efectiva falta de espaço físico para abarcar tantos veículos ao mesmo tempo. Não há nenhum tabuleiro de xadrez que tenha mais peças do que casas. A Estradas de Portugal e as câmaras municipais vão tentando, calmamente, arranjar espaço para todos, através da melhoria da rede viária e da construção de novos acessos para os grandes centros urbanos, mas não há solução à vista… Há demasiados automóveis para tão poucas opções de fuga aos congestionamentos de trânsito, sobretudo quando os destinos são os mesmos para milhares de pessoas.
Outra razão prende-se com a impossibilidade de definir e seguir uma estratégia. No xadrez, ela é uma componente essencial para a vitória. Nas estradas, a única hipótese é a entreajuda quando se passa por algo anormal (um acidente, um veículo imobilizado na faixa de rodagem, algum objecto estranho no meio da via que cause perturbações no trânsito, etc.) ou se está na cauda da fila. Nestas situações, deve ligar-se o 800 21 01 01, ouvir a Antena 1 e seguir as indicações do Serviço Nacional de Trânsito, para ficar a saber quais as melhores acessibilidades e mais rapidamente chegar ao local de destino.
Num outro contexto, mas perfeitamente enquadrada no paralelismo entre o trânsito e o semi-caos que se vive nas estradas portuguesas e o jogo de xadrez, está a total desresponsabilização dos automobilistas, que são os principais causadores de muitos contratempos e da maior parte dos acidentes. Os condutores portugueses têm o hábito de arranjar desculpas ou mesmo sacudir o capote para cima do vizinho. É como se, após um check-mate, o rei se queixasse de que a culpa era do pião, que em vez de se deixar comer, tinha fugido para casas desconhecidas; ou do bispo preto, que estava mais interessado em comer a rainha adversária do que em proteger o rei, que não viu vir o perigo porque estava distraído a falar ao telemóvel…
Por fim, o estado ou o mau estado das nossas estradas, comparativamente com o “piso” do jogo de xadrez (o tabuleiro), e que é, muitas vezes, motivo de percalços e incidentes. Suponha-se que a rainha, ao avançar tranquilamente para um check-mate, punha o pezinho numa casa e caiu num grande buraco? É isto que acontece todos os dias nas estradas portugueses, dando azo a inúmeras complicações e provocando o congestionamento de muitas vias, por onde circulam milhares de carros e que vai, inevitavelmente, atrapalhar o trânsito. 
Por isso já sabe… quando vir alguma coisa de anormal no seu trajecto, como o bispo das casas pretas nas casas brancas, um cavalo a andar em M, ou um pião a saltar três casa, ligue o 800 21 01 01 e ajude quem vem atrás.
PS: Na minha opinião, os portugueses são os melhores jogadores de trânsito da Europa. Ganham umas vezes, perdem outras, mas, fundamentalmente, sujeitam-se ao salve-se quem puder, tendo em conta a falta de respeito pelas regras, o estado do piso, a deficiente sinalização das nossas estradas, o estilo de condução praticado em Portugal, etc.
 
 
Jorge Peixoto:
 
Mas será o trânsito, nas horas de ponta, mais difícil do que jogar xadrez?
 
Não sei. E devia saber. Porque, como qualquer cidadão, ando na estrada – apesar de nas horas de ponta estar quase sempre a trabalhar... na informação de trânsito.
 
Sobre o xadrez, confesso que gosto de jogar, mas não passo de um amador barato, que mal vai além do conhecimento dos movimentos autorizados das peças.
 
Sei que o cavalo anda em L, o Bispo na diagonal, a Rainha para todo o lado...
 
Os peões, coitados, vão à frente nesta ‘guerra’, como nas outras guerras, e dão passinhos pequeninos.
 
Na estrada, também há carros a andar em L (e às vezes aos Ésses), na diagonal, etc., etc.. E peões atarantados a atravessar numa corridinha, a fazer vista grossa aos semáforos.
 
Talvez, então, considere que é mais difícil (e perigoso) o jogo do trânsito que o do xadrez. Que eu saiba, este não tem horas de ponta e aquele não se faz, normalmente, a cavalo...
 
Por outro lado, vem-me à ideia aquela frase tão ‘desportiva’, que configura a táctica de alguns treinadores mais confiantes: “Tudo ao molho e fé em Deus”. No trânsito, parece que é assim. No xadrez, não resulta – já experimentei e perdi sempre.
 
Cláudia Capela
 
Antes de mais, sinto-me no dever de confessar que não sou jogadora de Xadrez, nem domino as regras do jogo, mas do pouco conhecimento que tenho, sei que todas as peças têm regras próprias e objectivos definidos, e que cada jogador tem a possibilidade de antecipar o movimento de cada uma das peças do adversário.
 
No caso do trânsito nas horas de ponta, cada condutor tem também um objectivo definido - no período da manhã, que acompanho há vários anos, é entrar nas grandes cidades - mas a diferença reside no factor surpresa.
 
Nas estradas é necessário contar com as condicionantes humanas e naturais. Ou seja, os acidentes, as avarias e o estado do tempo têm implicações na duração das viagens. E muitas vezes, situações que acontecem nos percursos inversos, são também causa de complicações no escoamento do trânsito, devido à curiosidade. Distracções que muitas vezes são fatais, pois provocam mais acidentes e maior demora para se chegar ao objectivo.
 
No "Jogo do Trânsito" as regras não devem, mas são muitas vezes infringidas, razão pela qual o trânsito, nas horas de ponta, será sempre mais complicado do que jogar Xadrez.
 
 
No Dia Mundial do Xadrez, desejo uma Boa Viagem a todos os jogadores!
 
Mais Telefonia agradece reconhecidamente ao António Torrado, Jorge Peixoto e Cláudia Capela pelos textos e por terem aceitado o desafio de comparar o trânsito (que conhecem bem!) com o xadrez. Foi bom “Mais Telefonia” ter feito entrar o xadrez neste blog de rádio. E rádio sem informações de trânsito… não é, realmente, rádio! Infelizmente não obtivemos as respostas do Paulo Ferreira de Melo (MCR) nem da Ana Paula Antunes (RFM).






publicado por mais-telefonia às 00:00
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